Crua, dura, rugosa, sem enfeites, inabalável.
Delicada, cheirosa, cheia de vida, deslumbrante.
Algumas vezes um coração, que nasce quase sempre flor,
Sofre uma decepção e,
 Como quem fitava Medusa, vira pedra.
Algumas um coração, que teima em continuar flor,
Apesar de também sofrer e ter vontade de chorar, 
Se aproxima da pedra e joga seu pólen
Ao sabor do vento na esperança, tola esperança, 
Não de que esse coração se torne flor novamente,
Mas que fertilize um pedacinho dessa pedra.
Mas esse é o jeito mais falho
De se conseguir uma polinização. 
E outra flor - coração, talvez por ser mais insistente
Ou mais incisivo ou talvez tendo usado
Um beija-flor ou uma abelha, 
Conseguiu que brotasse uma flor na pedra, será?

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