Quero, hoje, contar-te os meus segredos,
Enquanto em teu peito pouso a cabeça,
E o teu corpo umedeço com meus beijos,
Sempre sedentos de amor e de enlevos.

Sempre de ti, reclamando devaneios,
Inclino meu corpo lânguido sobre o teu,
Guio com maestria minha mão suave e teja,
Para instigar atrevida teus desejos.

Desejos teus que os quero somente meus,
Que não os quero entregues a quem seja,
Porque agora são meus e também seus, 
Amanhã quem sabe eternamente nossos.

Jogo assim ao léu meu passado sem medo,
O que ontem era somente uma solidão hoje,
Esperança como a luz d’um dia,
Tal qual o sorriso d’uma nova ilusão.

Entontecida, outra vez reclino a cabeça
Sobre teu corpo tenso, suado, afogueado,
E devagar guio de novo a minha mão, 
Para com ela capturar o teu coração.

Oh! Navegador, guerreiro de mil guerras,
Último guerreiro quero que tu sejas,
Eleva, amor, teus pensamentos aos céus,
E então os desce aqui em nossas terras.

Vamos, o tempo urge e que assim seja....
Rega meu corpo com furor de teus beijos,
  Captura minh’alma e em ti a traga presa. 
Enche com a luz d’amor minha escuridão.

Rouba meu corpo e o possua deveras,
Mas não só agora, mas de novo amanhã,
Sempre, sempre, todo dia, a toda hora, 
Numa doce, terna e eterna afeição.

Corra, venha a meus braços, eu te espero,
Entre sonhos tumultuados de desejos. 
Ama-me com a tua força de guerreiro.
Com a mesma força que te amo e quero.


Regina Célia

 

                             

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