
É Natal...
Há quanto tempo não paro um pouco e reflito sobre
a minha vida?
... e sobre as pessoas que estão à minha volta e nem
vejo?
É Natal...
Há quanto tempo não encontro tempo para mim mesmo
e não brinco como uma criança?
... e não sinto as árvores, as flores, a grama, o céu?
É Natal...
Há quanto tempo não vejo uma borboleta voando
suavemente,
não ouço o canto de um pássaro, o farfalhar da brisa na
folhagem
e o deslizar do riacho sobre as pedras?
... deixei de ouvir a natureza?
É Natal...
Há quanto tempo não sinto meus próprios passos,
minhas mãos, não vejo meus olhos, não ouço meu coração,
minha respiração, meu corpo?
... deixei de ouvir a mim mesmo?
É Natal...
Há quanto tempo não sou acariciado ternamente,
não
sou olhado com amor, não sou ouvido com afeto?
E não tenho tempo de ouvir, ver,
sentir ou estar
simplesmente perto de alguém?
... deixei de amar as pessoas?
É Natal...
Há quanto tempo não choro, mansamente quando
entristecido,
não sorrio suavemente quando feliz,
não me enfureço
diante de uma injustiça,
não dou uma gargalhada do fundo do peito quando alegre?
... deixei de sentir emoções?
É Natal...
Há quanto tempo deixei de guiar minha vida,
transformando-me em mais uma folha ao sabor do vento da
sociedade?
... e venho escondendo o meu presente num futuro incerto?
... e venho afogando-me nessa rotina do dia-a-dia?
... e venho amortecendo em minhas entranhas a ânsia da
criação?
É Natal...
Há quanto tempo não penso com meus próprios
pensamentos,
não vejo com meus próprios olhos, não sinto com meu coração?
Enfim,
Há quanto tempo venho deixando de ser gente?
Nós acreditamos que sempre é
tempo para repensar e reagir!

Desconheço o autor,
quem souber, por favor, envie-me e-mail.

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